
1 - Conhecer
(Investigação Inicial)
Antes de qualquer movimento, é preciso escutar. O processo de conhecer é o ponto de partida de todo o trabalho: o momento em que ciência, sensibilidade e escuta se encontram para compreender quem é o sujeito que chega: sua história corporal, suas condições de saúde, seus contextos e suas formas de estar no mundo. Mais do que uma coleta de dados, essa etapa constitui um ato ético: o primeiro gesto de cuidado.
Aqui, o exercício começa a se desenhar a partir de um trabalho conjunto, em que o praticante traz suas vivências, percepções e demandas, e o profissional oferece o conhecimento técnico para transformar essas informações em possibilidades reais de ação. Esse desenho é colaborativo e em processo: pode (e deve) ser revisitado à medida que o corpo muda, que as condições se transformam e que novas necessidades surgem.
Conhecer, portanto, não é um momento único, mas uma atitude contínua de escuta, interpretação e reorientação do cuidado. Nesse sentido, as informações são atualizadas a cada encontro, a cada mudança, a cada percepção nova e, com isso, a anamnese se torna uma escuta em movimento — viva, revisitada e restauradora.
Quando necessário, parâmetros objetivos (como medidas corporais e sinais fisiológicos) são coletados de modo criterioso e contextualizado, não como fim em si, mas como apoio ao processo de cuidado.
Essa etapa inicial inclui:

Triagem Segura e
Acolhedora
Aplicação de protocolos reconhecidos internacionalmente (como PAR-Q+ e diretrizes da ACSM), garantindo segurança sem criar barreiras desnecessárias, e integrando esse momento a uma postura de acolhimento e vínculo.

Escuta Qualificada e
Contextual
A conversa inicial investiga o cotidiano — trabalho, sono, alimentação, deslocamento, responsabilidades — para compreender o corpo em seu ambiente real e as condições que influenciam sua disposição ao movimento.

Histórico de
Experiências Corporais
Explora lembranças associadas ao exercício — prazeres, desconfortos, interrupções, frustrações — para que novas práticas possam ser construídas sem reproduzir dores antigas.

Condições de Saúde e Acompanhamento Multiprofissional
Mapeamento de doenças crônicas, uso de medicamentos e sinais que exigem atenção especial. Quando necessário, há diálogo com outros profissionais de saúde, garantindo uma rede de cuidado integral.

Dimensões Emocionais e
Mentais
Avaliação ética de estados como ansiedade, fadiga, desânimo ou sobrecarga psíquica, reconhecendo que o corpo é atravessado por emoções e contextos afetivos que influenciam seu rendimento e sua motivação.

Determinantes Sociais e
Singularidades
Considera fatores como gênero, raça, orientação sexual, ocupação, condições socioeconômicas e sobrecarga doméstica. A saúde é entendida como fenômeno social e relacional (e o exercício, como uma estratégia de reparação e equidade).

Alinhamento de Expectativas e
Noção de Processo
Reorienta percepções sobre metas irreais ou rápidas demais, que colocam o corpo em risco ou reforçam padrões de sofrimento. Explica que o exercício físico, em conjunto com outros fatores, pode potencializar a saúde e o bem-estar.

Preferências e
Sentido da Prática
Identifica modalidades, ambientes e ritmos que geram conforto e pertencimento, ampliando a adesão e reforçando a autonomia. A escolha da prática é parte do cuidado, não mero detalhe técnico.

Comunicação Ética e
Linguagem que Acolhe
As perguntas e instruções são formuladas com clareza e empatia, estimulando autoconfiança. O diálogo técnico é sempre humano, evitando correções excessivas ou discursos de culpa e desempenho.

Motivação e Metas
com Significado
Com base na Psicologia do Esporte e na Teoria da Autodeterminação, busca-se compreender o que move a pessoa: metas alcançáveis, coerentes com sua fase de vida e com seus valores, e que possam se traduzir em prazer e continuidade.
