
Consultorias Individuais
As Consultorias Individuais são conduzidas de forma pontual e vinculadas a projetos de pesquisa e extensão, respeitando os princípios éticos e institucionais do IFSP. Elas constituem um espaço técnico e humano de escuta e construção conjunta, voltado a pessoas que reconhecem a importância do exercício físico, mas que, por diferentes motivos, encontram dificuldade em integrá-lo à própria vida: seja por sobrecarga, rotina intensa, questões emocionais, barreiras sociais ou experiências anteriores frustrantes.
Vivemos em uma época em que quase todos sabem que o exercício físico faz bem, e ainda assim muitos não conseguem mantê-lo como parte da vida. Entre o saber e o fazer, há uma distância marcada por contextos, cansaços e desencontros. Muitas pessoas tentam: matriculam-se em academias, começam caminhadas, retomam atividades, mas logo desistem; não por falta de vontade, mas porque os modos tradicionais de acolher o corpo na prática física ainda não consideram as condições reais da vida contemporânea.
As Consultorias são um modo, portanto, de produzir novas possibilidades de inserção do exercício físico na vida das pessoas de modo singular e significativo.
Sobre Criar Caminhos Possíveis
As consultorias contribuem para compreender o que sustenta ou interrompe o movimento e, em meio a isso, colaboram para criar caminhos possíveis, sustentáveis e significativos que ajudem na adesão e na continuidade da prática do exercício físico.
As consultorias oferecem também orientações precisas sobre o exercício físico, cientificamente fundamentadas nas ciências do movimento, mas revisitadas à luz de uma ética do cuidado. O conhecimento técnico é compartilhado, não imposto: profissional e participante constroem juntos uma leitura do corpo, em que a técnica se combina à experiência vivida. Assim, a orientação não se limita a prescrever: ela ensina, traduz, contextualiza e adapta, respeitando os limites, as potências e os desejos de quem pratica.
O ponto de partida
O ponto de partida é sempre a escuta. Essa escuta abrange não apenas o relato físico, mas também as condições concretas de vida: jornada de trabalho dentro e fora de casa, vínculos afetivos, limitações físicas existentes, tempo disponível, condições ligadas à saúde mental, acesso a espaços de prática, determinantes sociais da saúde, pressões estéticas, impactos do cuidado com os outros.
O corpo é compreendido como território de experiência, linguagem e história; e o exercício, como forma de expressão e possibilidade de existência. Essa escuta inaugura um modo diferente de investigação: mais empático, mais profundo e mais realista. Em não responsabiliza o indivíduo pela adesão ou não ao exercício, mas compreende esse processo de forma multifatorial.
O que acontece depois
A partir da escuta inicial, são construídas (pela profissional de Educação Física e pelo participante) estratégias conjuntas e aplicáveis, que buscam restituir o vínculo com o corpo e integrar o movimento à vida cotidiana de modo viável e prazeroso. Essas estratégias podem incluir práticas físicas orientadas, exercícios de autorregulação, momentos de descanso ativo, reorganizações simples da rotina ou ajustes de postura e respiração, sempre com base em critérios científicos e éticos. O objetivo não é criar uma nova obrigação, mas ajudar cada pessoa a reencontrar o prazer e o sentido de se mover.

O corpo, nesse processo, é entendido como campo de criação e conciliação: espaço onde o desejo de mudar, a busca estética, a recomposição corporal, a prevenção e o bem-estar podem coexistir sem culpa nem imposição. O exercício físico é, ao mesmo tempo, ferramenta e linguagem: uma forma de conhecimento aplicada, que atua na prevenção de doenças crônicas, na regulação emocional, na autoestima, na sociabilidade e na longevidade, mas também um gesto simbólico de presença e liberdade.
Ao final, o que se constrói não é apenas um plano de ação, mas uma nova compreensão de si e do próprio corpo. O corpo passa a ser reconhecido como potência, e não como falha — como território vivo, científico e sensível, onde movimento e reflexão se entrelaçam para fazer do exercício uma experiência integral de saúde e autoria sobre a própria vida.

Por que é diferente?
O que distingue esta consultoria é a forma de compreender o exercício físico. Ele não é tratado como produto, desempenho ou imposição, mas como campo de análise e intervenção sobre a vida cotidiana. Cada encontro é orientado por fundamentos da Saúde Coletiva, da Educação Física e da Psicologia do Esporte, reconhecendo que mover o corpo é também mover histórias, relações e modos de existir. As orientações são técnicas, sim, mas articuladas a uma escuta qualificada, que identifica como determinantes sociais, rotinas, vínculos e condições de trabalho influenciam o modo de viver o corpo.
A diferença está em unir ciência e sensibilidade: prescrever, quando necessário, com precisão metodológica e, ao mesmo tempo, interpretar o corpo como linguagem, como território vivo de experiência. Não se busca corrigir, mas compreender o que sustenta e o que limita, elaborando trajetos possíveis e éticos de prática física. Trata-se de uma consultoria que pensa o exercício como tecnologia de cuidado e emancipação, e não como disciplina de controle — uma forma de produzir saúde com o outro, e não sobre o outro.